Lamborghini alagada não tinha seguro

Uma Lamborghini Huracán, ano 2015, sem seguro, ficou praticamente destruída com a enchente em São Paulo durante chuva na madrugada da última segunda-feira. O veículo estava estacionado em um prédio da Vila Leopoldina, na zona oeste da capital – e viralizou após imagens da enxurrada no condomínio serem divulgadas nas redes sociais.

O carrão faz parte de um projeto chamado Mutant Supercars. Um preparador de carros recebeu o desafio de transformar a máquina de 600 cavalos em 1.500 cavalos, tornando-se a mais rápida do mundo, de acordo com os idealizadores. A pessoa que fez o pedido colocou em contrato uma cláusula de confidencialidade por não querer ser identificada. Sabe-se que é um milionário, colecionador de carros, e mora em São Paulo.

Em conversa com o UOL Carros falando de Dubai, Vinícius Vilela, um dos responsáveis pelo projeto, afirmou que o objetivo de transformar a Lamborghini seria obter o maior valor possível em dinheiro com um grande leilão beneficente e doar a arrecadação para projetos voltados a crianças carentes no Brasil e na África.

Agora, com a Huracán danificada, não há garantia de continuidade da ação, que estava sendo toda filmada para virar uma série documental.

Inundação atingiu parte interna até altura do som

Para aumentar a potência da Lamborghini, o grupo conta com o trabalho do projetista Fernando Santos, que no ofício usa o nome de Fernando Mutant – morador do condomínio atingido pela enchente.

O veículo passou a noite no prédio onde ele mora porque precisou ser retirado para uma sessão de fotos. Mas, ao voltar, a oficina onde o carro costumava ficar guardado estava fechada.

Mutant lembra com detalhes os momentos anteriores de quando viu o carro tomado pela água. Quando dormiu, por volta de 23h30 de domingo, estava apenas garoando, o que não despertou preocupação nele. Ao acordar no dia seguinte, veio o “pesadelo”, como o próprio define. Era por volta de 8h30 e o projetista não ouviu o barulho causado pelo trânsito e pelos trens, característico da região.

Abriu, então, a janela e viu a destruição na rua.

“Da janela não encontrei um outro carro que eu tinha parado na rua. Quando olhei para a quadra da escola em frente de onde moro, vi a água no travessão do gol e tive uma ideia da altura da enchente. Aí, me lembrei da Lamborghini na garagem”, contou.

“Como estava sem energia, desci correndo pelas escadas. Cheguei no térreo e uma pessoa me disse para não entrar na água por causa do risco de choque. Mas nessa hora entrei mesmo assim. A água na garagem estava a 1,30 metro de altura. Comecei a chorar, fiquei uns 10 minutos sem conseguir dizer uma palavra”.

A água chegou perto dos controles de som e na altura dos faróis da Lamborghini. Para tentar salvar o que for possível, ele levou o carro para um lava-rápido e depois deixou-o em uma oficina especializada para avaliação.

Não ter seguro foi uma escolha dos integrantes do projeto. “A gente não via a necessidade de fazer seguro. O carro fica guardado, parado“.

O foco, agora, é buscar parceiros para retomar o projeto dos sonhos. “Dormi sonhando com o carro transformado e acordei com um pesadelo da vida real. Foram meses de trabalho desde o segundo semestre do ano passado, muitas pessoas envolvidas, muito sentimento“, lamenta.

Carro seria vendido para arrecadar fundos

“O objetivo do projeto é esse: transformar esse carro para que seja um carro diferenciado e assim arrecade mais recursos para instituições de caridade”, resumiu Vinícius Vilela, que faz parte do time do projeto.

Segundo ele, o milionário que pediu a transformação da Lamborghini possui outros da mesma marca, além de Ferrari, McLaren e outras, todos tunados.
Se conseguirem recuperar a Lamborghini e transformá-la, a expectativa é realizar um leilão em dezembro desse ano, em cidade ainda não definida.

Algumas que estão na lista para receber o evento de arrecadação são Dubai, São Paulo, Rio de Janeiro e Balneário Camboriú. A previsão é arrecadar entre US$ 5 milhões e US$ 10 milhões.

A ideia é que a série a respeito do projeto tenha nove episódios em vídeos gravados no Brasil e nos Estados Unidos. O primeiro já está pronto. Agora, os planos dependem da recuperação do carro.

“A sequência disso a gente não sabe. Agora vamos ver se o carro vai ser recuperado ou não, se vai precisar mandar ele para fora para se recuperar… Itália, Estados Unidos. Ou quiçá que um outro abençoado seja tocado no coração e também resolva doar ou algumas empresas se reúnam para isso. A gente está torcendo para não deixar o projeto parar. Todo mundo está muito focado na desgraça, porque foi uma tragédia mesmo”, complementa Vilela.

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