Porque não deves conduzir a baixa rotação?

O senso comum diz-nos que para poupar combustível devemos conduzir a baixa rotação, na relação de caixa mais alta possível, mas nem sempre o senso comum está… certo!

Reduzir o consumo de combustível, e logo as emissões, é uma das prioridades hoje em dia, tanto para construtores, que têm de o fazer pela força dos regulamentos, como para nós, condutores. Felizmente ainda existem algumas exceções… mas este artigo é para os que realmente querem poupar combustível.

Existem dois comportamentos comuns, mas nem sempre corretos, de quem tenta a todo o custo fazer uma condução que leve a uma maior poupança de combustível.

O primeiro é a condução em ponto morto (neutro) sempre que o condutor se depara com uma descida, deixando o automóvel rolar livremente. Ao contrário do que se pensa, só com uma mudança engrenada é que o sistema corta a injeção de combustível em desaceleração — a única exceção aplica-se aos carros com carburadores.

A segunda é conduzir com a maior relação de caixa possível, de forma a ter o motor na rotação mais baixa possível. Não está totalmente errada, mas é preciso saber aplicar a solução de acordo com cada caso.

Consequências do downsizing

O downsizing que marcou a indústria, ou seja, o recurso a motores de capacidade inferior e turbo, uma das consequências do desatualizado ciclo de testes NEDC, é também um dos principais responsáveis pelo aumento do número de relações nas caixas de velocidades, assim como pelo alongar das relações. Uma estratégia para conseguir os melhores resultados nos testes de homologação, contribuindo para a discrepância cada vez maior entre consumos oficiais e reais.

Hoje em dia é comum qualquer carro ter uma caixa manual com seis velocidades, enquanto nas automáticas já falamos habitualmente de 7, 8 e 9, como é o caso da Mercedes-Benz e da Land Rover, e até já existem caixas de 10 velocidades, como no Ford Mustang.

O objetivo de aumentar o número de velocidades é conseguir manter o motor no seu regime mais eficiente, independentemente da velocidade a que se circula.

No entanto, e se no caso das caixas manuais é o condutor o responsável pela escolha da relação de caixa, as caixas automáticas estão também programadas para colocar sempre a relação de caixa o mais alta possível, principalmente se tiverem algum modo para poupança de consumos, no geral, denominados de “ECO”.

A estratégia utilizada por condutores e fabricantes não está errada por si só, mas a ideia de que circular sempre com a relação de caixa mais alta e conduzir a baixa rotação beneficia os consumos, também não é uma verdade absoluta, dependendo de muitos fatores.

De uma forma geral, apesar de haver exceções, os motores Diesel têm a sua faixa de utilização ótima entre as 1500 e as 3000 rpm, enquanto os gasolina sobrealimentados entre as 2000 e as 3500 rpm. É a faixa de utilização na qual está disponível o binário máximo, ou seja, é nesta faixa que o motor faz menos esforço.

Fazendo menos esforço, será aqui que também terá consumos de combustível mais reduzidos.

Quando usar baixas rotações

Usar a relação mais alta possível e conduzir a baixa rotação sem olhar ao regime do motor, só é recomendável em situações de pouco ou nenhum esforço do motor, como em declives.

O trabalhar frequente do motor a baixas rotações leva a esforços internos e vibrações que mais tarde ou mais cedo, poderão resultar em avarias. Particularmente nos motores Diesel modernos, avarias nos sistemas anti-poluição como os filtros de partículas, são o desfecho mais provável.

Conhecer o regime ótimo do motor, bem como o escalonamento da caixa de velocidades, é a melhor forma de poupar combustível.

Os automóveis mais modernos já têm inclusivamente um indicador de mudança ideal, que indica qual a relação correta no momento e condições atuais, indicando até quando devemos reduzir ou aumentar a relação de caixa.

Assim, ouçam o motor, e deixem-no “trabalhar” no seu regime ideal.

Fonte: Razão Automóvel (Leia o artigo completo)

 

Bruxelas investiga BMW, Daimler e grupo VW por suspeitas de cartel

O cartel “pode ter negado aos consumidores a oportunidade de comprar carros menos poluentes, apesar de a tecnologia estar disponível para os fabricantes”, segundo a comissária europeia para a Concorrência, Margrethe Vestager.

A comissária europeia Margrethe Vestager, responsável pela Política de Concorrência da Comissão Europeia, adiantou que “a Comissão está a investigar se a BMW, a Daimler e a VW concordaram em não competir entre si no desenvolvimento e implantação de sistemas importantes para reduzir as emissões nocivas dos automóveis de passageiros a gasolina e diesel”.

Dito de outra forma: a Comissão quer saber se aquelas marcas conluiaram entre si instalar nos seus automóveis dispositivos que alterassem os dados das tecnologias que visam tornar os carros de passageiros menos prejudiciais ao meio ambiente. “Se comprovado, esse conluio pode ter negado aos consumidores a oportunidade de comprar carros menos poluentes, apesar de a tecnologia estar disponível para os fabricantes”, disse ainda Vestager.

Em outubro de 2017, a Comissão realizou inspeções nas instalações da BMW, da Daimler, da Volkswagen e da Audi, na Alemanha, como parte dos seus inquéritos iniciais sobre uma eventual coligação entre fabricantes de veículos automóveis no desenvolvimento tecnológico de veículos de passageiros.

A investigação aprofundada da Comissão “centra-se em informações que indicam que a BMW, a Daimler, a Volkswagen, a Audi e a Porsche, também chamadas de ‘círculo dos cinco’, participaram em reuniões onde discutiram nomeadamente o desenvolvimento e implantação de tecnologias para limitar as emissões nocivas dos veículos”, afirma a Comissão em comunicado.

Em especial, a Comissão está a avaliar se as empresas colaboraram para limitar o desenvolvimento e a implantação de determinados sistemas de controlo de emissões para os automóveis vendidos no Espaço Económico Europeu, a saber: sistemas de redução catalítica seletiva para reduzir as emissões nocivas de óxidos de azoto dos automóveis de passageiros com motores diesel; e filtros de partículas ‘Otto’ para reduzir as emissões nocivas de partículas dos automóveis de passageiros com motores a gasolina.

A investigação aprofundada terá como objetivo determinar se a conduta da BMW, Daimler e VW “pode ter violado as regras antitruste da UE que proíbem cartéis e práticas comerciais restritivas, incluindo acordos para limitar ou controlar o desenvolvimento técnico da União Europeia”.

Nesta fase, a Comissão não tem indicações de que as partes se coordenaram mutuamente em relação à utilização de dispositivos fraudulentos ilícitos para enganar os testes regulamentares.

Fonte: Jornal Económico