O fabricante que mais vende na Europa é… a Opel!

O novo ciclo de medição de consumos e emissões WLTP veio baralhar as contas dos construtores. Saldo positivo para a Opel, que foi quem mais vendeu e empurrou a PSA para a liderança do mercado europeu.

A compra da Opel/Vauxhall pela PSA, há pouco mais de um ano, está a revelar-se um excelente negócio. Isto porque o conglomerado liderou as vendas de automóveis de passageiros na Europa, em Setembro, em grande parte graças ao desempenho da sua mais recente aquisição. Com 80.920 unidades comercializadas, a Opel/Vauxhall assegurou o 1.º lugar no top de vendas, algo que não acontecia há 13 anos (desde Março de 2005). Mais, portanto, do que a Peugeot (72.696 unidades), a Citroën (43.750) e a DS (3.034).

Esta mudança de liderança no ranking de vendas europeu ocorre após um mês atípico, pois em Agosto muitos consumidores anteciparam a compra de um automóvel novo, devido à entrada em vigor do novo ciclo de medição de consumos e emissões WLTP (World Harmonised Light Vehicle Test Procedure). Obrigatório para todos os novos modelos produzidos a partir do dia 1 de Setembro, o novo procedimento de testes, mais rígido (e realista) em relação ao consumo de combustível e aos níveis de emissões de poluentes, levou a que o mercado europeu se ressentisse, com uma queda de 23,5% nas vendas, face ao mês homólogo de 2017, depois de Agosto ter registado um incremento de 31,2% em novas matrículas, segundo os dados divulgados pela Associação Europeia dos Construtores Automóveis (ACEA).

Fruto destas alterações, Setembro de 2018 corresponde à maior retracção mensal da década, tendo ainda a particularidade de colocar a Volkswagen fora do top 3, pois a disputa foi cerrada: a Ford garantiu a vice-liderança, com 80.813 unidades transaccionadas, e a BMW estabeleceu-se logo a seguir (80.258).

Posição Marca Setembro 2018 Quota de mercado Setembro 2017 Variação
1 Opel/Vauxhall 80.920 7,2% 92.630 -12,6%
2 Ford 80.813 7,2% 94.297 -14,3%
3 BMW 80.258 7,1% 86.744 -7,5%
4 Mercedes 79.685 7,1% 92.372 -13,7%
5 Volkswagen 74.469 6,6% 157.029 -52,6%
6 Peugeot 72.696 6,5% 75.912 -4,2%
7 Renault 63.988 5,7% 95.160 -32,8%
8 Toyota 61.952 5,5% 63.415 -2,3%
9 Hyundai 46.532 4,1% 52.068 -10,6%
10 Skoda 45.993 4,1% 65.156 -29,4%
11 Citroën 43.750 3,9% 45.422 -3,7%
12 Kia 43.665 3,9% 44.492 -1,9%
13 Fiat 41.165 3,7% 62.874 -34,5%
14 Nissan 35.441 3,2% 64.117 -44,7%
15 Audi 31.199 2,8% 78.899 -60,5%
16 Volvo 28.011 2,5% 27.163 3,1%
17 Dacia 25.894 2,3% 34.914 -25,8%
18 Mazda 23.030 2,1% 25.339 -9,1%
19 Seat 21.764 1,9% 32.354 -32,7%
20 Mini 21.571 1,9% 25.066 -13,9%

Confirmando a reviravolta introduzida pelo WLTP, o construtor de Wolfsburg caiu mais de 50%, tendo sido ultrapassado pela Mercedes (79.685), o que o relegou para o 5.º posto da tabela. Segundo a ACEA, esta foi apenas a terceira vez desde o início do século que a Volkswagen não liderou as vendas na Europa. Mais grave é a situação da Audi, que perdeu 60% dos seus clientes, enquanto a Volvo foi a única marca no top 20 a registar números superiores aos do mesmo período de 2017 (+3,1%).

Quanto aos modelos mais vendidos, houve igualmente surpresas, pois as vendas do Golf caíram mais de 70%, o que deixa o bestseller alemão fora do top 10. Destaque ainda para o Toyota Yaris e para novo Classe A, que conseguiram os seus melhores resultados de sempre.

Fonte: Observador (Leia mais)

Bruxelas investiga BMW, Daimler e grupo VW por suspeitas de cartel

O cartel “pode ter negado aos consumidores a oportunidade de comprar carros menos poluentes, apesar de a tecnologia estar disponível para os fabricantes”, segundo a comissária europeia para a Concorrência, Margrethe Vestager.

A comissária europeia Margrethe Vestager, responsável pela Política de Concorrência da Comissão Europeia, adiantou que “a Comissão está a investigar se a BMW, a Daimler e a VW concordaram em não competir entre si no desenvolvimento e implantação de sistemas importantes para reduzir as emissões nocivas dos automóveis de passageiros a gasolina e diesel”.

Dito de outra forma: a Comissão quer saber se aquelas marcas conluiaram entre si instalar nos seus automóveis dispositivos que alterassem os dados das tecnologias que visam tornar os carros de passageiros menos prejudiciais ao meio ambiente. “Se comprovado, esse conluio pode ter negado aos consumidores a oportunidade de comprar carros menos poluentes, apesar de a tecnologia estar disponível para os fabricantes”, disse ainda Vestager.

Em outubro de 2017, a Comissão realizou inspeções nas instalações da BMW, da Daimler, da Volkswagen e da Audi, na Alemanha, como parte dos seus inquéritos iniciais sobre uma eventual coligação entre fabricantes de veículos automóveis no desenvolvimento tecnológico de veículos de passageiros.

A investigação aprofundada da Comissão “centra-se em informações que indicam que a BMW, a Daimler, a Volkswagen, a Audi e a Porsche, também chamadas de ‘círculo dos cinco’, participaram em reuniões onde discutiram nomeadamente o desenvolvimento e implantação de tecnologias para limitar as emissões nocivas dos veículos”, afirma a Comissão em comunicado.

Em especial, a Comissão está a avaliar se as empresas colaboraram para limitar o desenvolvimento e a implantação de determinados sistemas de controlo de emissões para os automóveis vendidos no Espaço Económico Europeu, a saber: sistemas de redução catalítica seletiva para reduzir as emissões nocivas de óxidos de azoto dos automóveis de passageiros com motores diesel; e filtros de partículas ‘Otto’ para reduzir as emissões nocivas de partículas dos automóveis de passageiros com motores a gasolina.

A investigação aprofundada terá como objetivo determinar se a conduta da BMW, Daimler e VW “pode ter violado as regras antitruste da UE que proíbem cartéis e práticas comerciais restritivas, incluindo acordos para limitar ou controlar o desenvolvimento técnico da União Europeia”.

Nesta fase, a Comissão não tem indicações de que as partes se coordenaram mutuamente em relação à utilização de dispositivos fraudulentos ilícitos para enganar os testes regulamentares.

Fonte: Jornal Económico